QUEM PECOU?

10:58Apenas Evangelho

Passando Jesus, viu um cego de nascença. E seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego: ele ou seus pais? Jesus respondeu: nem ele nem seus pais, mas isso aconteceu para que nele se manifestassem as obras de Deus.
João 9:1-3
















por Sandro VS


Este é o único milagre relatado nos Evangelhos no qual se diz que a vítima sofria desde seu nascimento e, ao que parece, era uma figura muito conhecida por sua enfermidade congênita, pois os discípulos sabiam muitas coisas sobre sua vida. 

Quando o viram, provavelmente esmolando, viram também a oportunidade de obter de Jesus uma explicação que falta em qualquer conversa informal ou grandes debates sobre teologia, “A CAUSA DO SOFRIMENTO HUMANO”. 

Os judeus relacionavam, sem hesitações, o sofrimento com o pecado, isto é, onde existisse sofrimento logo existiria também algum pecador impenitente, pois era inadmissível que um devoto exaustivo da lei de Deus sofresse. 

Com este conceito teológico acerca do sofrimento os discípulos querem saber: 

“Quem pecou para que isso acontecesse, ele ou seus pais?” 

Na época de Jesus alguns judeus criam na preexistência da alma e, na realidade, receberam a noção disso sob influência de Platão e dos gregos. Criam que, antes da criação do mundo, todas as almas existiam no Éden, que estavam no sétimo céu ou ainda em alguma câmara especial esperando o momento de ingressar em um corpo. O autor do Livro da Sabedoria diz: 

“Eu era um jovem de boas qualidades, coubera-me, por sorte, uma boa alma”. (Sabedoria 8:19) 

Assim sendo, não é novo o conceito da possibilidade do homem pecar antes de nascer e existir e por mais estranha que pareça para alguns ou fantástica demais para outros fica claro que é um conceito advindo da corrupção universal do pecado. 

O outro conceito era o sofrimento herdado pelo pecado cometido por outro, e este sempre pareceu para o judeu um conceito mais atraente e consolador para explicar este problema, pois no Antigo Testamento não faltam textos em que os profetas refutam esta ideia judaica. No livro o profeta Ezequiel temos um texto que deixa isto claro: 

“Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniquidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este”. Ezequiel 18:19-20 

O que impressiona é que Jesus não busca estender a conversa ou explicar a relação entre pecado e sofrimento, e, por mais que não defina qual é a causa do sofrimento, pelo menos nos dá pistas daquilo que não pode ser a sua causa, Deus. 

Jesus diz que nem ele nem seus pais pecaram para que ele nascesse assim, mas que isto aconteceu para que nele se manifestassem as obras de Deus. Com isso Jesus não quis dizer que ele ou seus pais nunca haviam pecado, pois, sem dúvida, tanto o homem quanto seus pais haviam pecado em algum momento, mas sim que Ele não considera tais pecados a causa da cegueira do homem, desconstruindo assim, mais uma vez este conceito judaico. 

Mas Jesus também não deu a entender que Deus havia deliberadamente cegado o homem para que, anos depois, Ele realizasse esse milagre, pois se assim fosse, de certa forma, poderíamos afirmar que a causa do sofrimento foi um ato inconsequente de Deus e ainda deixaria margem para indagarmos: “porquê de outros cegos de nascença não são alvos de tal misericórdia?”. 

Então o que Jesus quer dizer com “manifestar as obras de Deus”? 

A resposta tem dois sentidos. 

O primeiro, bem claro, é o milagre que iria manifestar o poder e a glória de Deus, isto é, o próprio Jesus. 

O segundo é que pessoas que passam por tais sofrimentos podem tirar lições e aprender de Deus nestas situações, isto é, é o sentido no qual o sofrimento manifesta o que Deus pode fazer por meio dele. A aflição, a tristeza, a dor, a frustração, a perda, sempre permitem que Deus mostre ao homem o que Ele pode fazer. 

Quando tragédias como esta caem sobre pessoas que não conhecem a Deus, estes se desesperam, mas quando acometem pessoas que vivem com Deus, revelam a fortaleza, a força e a nobreza que se encontram nos corações habitados por Ele. 

Não faltam exemplos disso na história da humanidade,  uma mulher chamada Helen Keller ficou cega, surda e, consequentemente, muda desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como "febre cerebral", portanto provou de todas as deficiências sensoriais. Mas estas deficiências não a impediram de lutar e conquistar seus objetivos. Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência. 

Escreveu poemas e compôs músicas sobre a aquilo que nunca viu e, assim, transformou todo este pacote de impossibilidades em glória para Deus! 

Portanto, o sofrimento nada mais é do que um dos caminhos usados por Deus para que se manifestem as Suas obras e Sua glória. 

Assim, seja por meio de um milagre, ou não, existe glória naquilo que chamamos de anomalia.

Soli Deo Glória!

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